Marcas ONU nas embalagens de mercadorias perigosas: o código que nos protege sem darmos por isso
Pela Equipa de Mercadorias Perigosas da MYDG.SHOP — certificada DGSA
Vemo-los todos os dias em armazéns, em camiões de distribuição, nos aeroportos. Aqueles símbolos impressos ou gravados em relevo nas embalagens que contêm produtos químicos, inflamáveis ou matérias tóxicas. Passamos por eles sem parar para pensar no que significam. E, no entanto, por trás de cada um desses carateres está um sistema de segurança global e rigoroso que evita milhares de acidentes por ano.
A base está na Parte 6 do ADR e do Código IMDG — Secção 6 no IATA DGR: a norma que define os requisitos técnicos, os ensaios que a embalagem tem de superar e a forma como tem de ser marcada. Não é uma caixa qualquer. É uma embalagem concebida para resistir a condições adversas. Para a embalagem de madeira em particular, veja o nosso guia das caixas de contraplacado UN 4D/4DV.
Quem é responsável por estas marcas?
A responsabilidade recai em primeiro lugar sobre os fabricantes e distribuidores de embalagens: a marca é a declaração deles de que o modelo-tipo superou os ensaios. Mas não acaba aí — ao abrigo do ADR 1.4.2 e 1.4.3, o expedidor e o embalador têm de verificar que a embalagem que realmente usam tem a marca adequada às mercadorias expedidas. Não basta que uma embalagem «pareça robusta». Tem de ter superado os ensaios de desempenho exigidos, e a marca tem de refletir com exatidão que ensaios superou e para que tipo de mercadorias está aprovado.
Como ler o código: uma lógica universal
O sistema de codificação combina algarismos e letras maiúsculas. O algarismo inicial indica a categoria de embalagem: 1 para tambores, 3 para jerricãs, 4 para caixas (5 para sacos, 6 para embalagens compostas, 0 para embalagens metálicas ligeiras; o 2 e o 7 estão reservados). A letra indica o material: A = aço, B = alumínio, D = contraplacado, G = cartão, H = plástico. O nível de desempenho (X, Y ou Z) indica para que grupos de embalagem a embalagem foi ensaiada: o X cobre os grupos de embalagem I, II e III; o Y, os grupos II e III; o Z, apenas o III.
A marca completa: o que significa cada elemento
Uma marca ONU completa como UN 1A1/X/300/S/24/GB/MFR diz-lhe o seguinte: um tambor de aço de tampo não amovível (1A1) com homologação ONU, ensaiado para os grupos de embalagem I, II e III (X), para matérias sólidas ou embalagens interiores (S), com uma massa bruta máxima de 300 kg, fabricado em 2024 (24) sob a autoridade da Grã-Bretanha (GB), pelo fabricante identificado no fim. Há dois pormenores que se erram com facilidade: o S não é facultativo para os sólidos, e o ano vem antes do código do país, e não depois — os exemplos oficiais do próprio ADR leem-se 4G/Y145/S/02 NL/VL823 e 1A1/Y1.4/150/98 NL/VL824 (ADR 6.1.3.1 e 6.1.3.11). Os dois algarismos são o ano de fabrico, não de certificação. Esta informação é essencial para a etiquetagem e a documentação corretas da remessa.
Porque é que isto importa para as suas remessas
Fora dos casos que o próprio regulamento excetua — quantidades limitadas, quantidades excetuadas e a instrução de embalagem P650 para o UN 3373, que exigem embalagem conforme a um nível de desempenho definido mas sem marca ONU —, usar embalagem sem a marca ONU correta para a sua matéria e para o seu grupo de embalagem é uma infração regulamentar ao abrigo do ADR, da IATA e do IMDG. Pode resultar na recusa da remessa, em coimas e — mais importante ainda — em incidentes de segurança. Verifique sempre a marca ONU antes de embalar mercadorias perigosas e conjugue a embalagem com as etiquetas de perigo corretas.
Aquela sequência de letras e números estampada num tambor ou numa caixa não é aleatória. É um passaporte internacional de segurança — e saber lê-lo pode fazer toda a diferença.
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